Análise do Cromossomo Y em Exames de Parentesco: uma ferramenta essencial quando o suposto pai está ausente
- Dra. Ana Carolina Augusta dos Santos - Biomédica

- 6 de jul.
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Atualizado: 7 de jul.
Quando o suposto pai não pode participar da investigação, ainda é possível esclarecer o vínculo biológico?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes em investigações de paternidade. Muitas pessoas acreditam que, sem a participação direta do suposto pai, não há mais possibilidade de realizar um exame de DNA confiável. No entanto, os avanços da genética molecular permitem que o parentesco seja investigado utilizando outros familiares da linhagem paterna. Entre as metodologias disponíveis, destaca-se a análise dos marcadores do cromossomo Y (Y-STR), uma ferramenta amplamente empregada na genética forense e nos exames de parentesco para reconstrução da linhagem paterna. Embora essa metodologia não substitua o teste de paternidade convencional quando o suposto pai está disponível, ela representa uma estratégia altamente informativa em situações nas quais a análise direta não é possível, como nos casos de falecimento, desaparecimento, recusa em fornecer material biológico ou outras circunstâncias que impeçam sua participação.
O que é o cromossomo Y?
O cromossomo Y é um dos cromossomos sexuais humanos e está presente apenas em indivíduos do sexo masculino. Sua principal característica é a forma de transmissão: ele é herdado quase exclusivamente de pai para filho. Diferentemente dos cromossomos autossômicos, que sofrem intensa recombinação genética a cada geração, a maior parte do cromossomo Y corresponde à Região Não Recombinante (Non-Recombining Region – NRY). Nessa região, a sequência genética permanece praticamente inalterada ao longo das gerações, sofrendo apenas raras mutações naturais. Essa estabilidade permite que homens pertencentes à mesma linhagem paterna compartilhem um perfil genético muito semelhante, denominado haplótipo do cromossomo Y. É justamente essa característica que torna o cromossomo Y uma importante ferramenta para a investigação de vínculos biológicos envolvendo a linhagem paterna.
Como funciona a análise dos marcadores Y-STR?
Os exames de cromossomo Y são baseados na análise de marcadores conhecidos como Y-STR (Y Short Tandem Repeats), regiões altamente polimórficas distribuídas ao longo da região não recombinante do cromossomo Y. Após a extração do DNA, esses marcadores são amplificados por Reação em Cadeia da Polimerase (PCR Multiplex) e posteriormente analisados por eletroforese capilar, permitindo a obtenção do perfil genético do cromossomo Y. Os haplótipos obtidos são comparados entre os indivíduos participantes da investigação e interpretados com base em critérios estatísticos e em bancos de dados populacionais internacionalmente reconhecidos.
Em quais situações esse exame é indicado?
A análise do cromossomo Y é especialmente indicada quando o suposto pai não está disponível para fornecer material biológico.
Entre as principais aplicações estão:
investigação de paternidade com pai falecido;
pai desaparecido ou não localizado;
impossibilidade de coleta do suposto pai;
processos judiciais envolvendo reconhecimento de paternidade post mortem;
ações de inventário e herança;
reconstrução de vínculo biológico utilizando familiares da linhagem paterna.
Dependendo da estrutura familiar, podem participar da investigação:
avô paterno;
irmão biológico do suposto pai;
filho reconhecido do suposto pai;
tio paterno;
outros parentes masculinos pertencentes à mesma linhagem paterna.
Quanto maior o número de familiares informativos incluídos na análise, maior será a robustez da interpretação genética.
Por que o cromossomo Y é tão importante nesses casos?
Quando o suposto pai está ausente, a genética precisa reconstruir sua contribuição biológica por meio de familiares que compartilham a mesma linhagem paterna. Como o cromossomo Y é transmitido praticamente sem alterações entre as gerações, ele funciona como um verdadeiro marcador da ancestralidade paterna. Na prática, isso significa que um filho do sexo masculino compartilha praticamente o mesmo haplótipo de cromossomo Y que seu pai, seu avô paterno, seus tios paternos e outros homens da mesma família. Essa característica permite investigar se existe compatibilidade com a linhagem paterna, mesmo sem a participação direta do suposto pai.
Como interpretar os resultados?
A interpretação dos resultados deve ser realizada por profissionais habilitados, considerando não apenas a compatibilidade dos haplótipos, mas também o contexto familiar e os cálculos estatísticos aplicáveis. Quando os perfis de Y-STR são incompatíveis, é possível excluir o compartilhamento da mesma linhagem paterna, salvo em raríssimos casos decorrentes de mutações. Por outro lado, a compatibilidade dos perfis indica que os indivíduos analisados pertencem à mesma linhagem paterna, sendo esse resultado compatível com o parentesco investigado. É importante destacar que a análise do cromossomo Y não permite identificar qual homem específico da família é o pai biológico, pois indivíduos pertencentes à mesma linhagem paterna compartilham, em regra, o mesmo haplótipo. Por esse motivo, essa metodologia deve ser interpretada em conjunto com outras evidências genéticas, documentais e familiares.
Exemplo prático
Imagine uma situação em que o suposto pai tenha falecido antes do nascimento da criança. À primeira vista, muitas pessoas acreditam que a investigação de paternidade se tornou impossível. Entretanto, se houver disponibilidade do avô paterno ou de um irmão biológico do falecido, é possível utilizar a análise do cromossomo Y para verificar se a criança compartilha a mesma linhagem paterna.
Em outro cenário, quando o suposto pai está desaparecido, um filho reconhecido ou outro parente masculino da mesma linhagem pode contribuir para a reconstrução genética da família, fornecendo informações valiosas para a investigação. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando a estrutura familiar disponível e a estratégia laboratorial mais adequada.
A análise do cromossomo Y substitui um teste de paternidade?
Não. Quando o suposto pai está disponível para coleta, o exame de escolha continua sendo o de DNA DUO Paternidade, entre suposto pai e suposto filho. A análise dos marcadores Y-STR deve ser entendida como uma metodologia complementar, especialmente indicada para reconstrução da linhagem paterna quando a análise direta do suposto pai não é possível. Em muitos casos, sua associação com marcadores autossômicos e outras estratégias de investigação genética proporciona resultados significativamente mais robustos.
Considerações finais
A análise dos marcadores do cromossomo Y representa uma importante ferramenta da genética molecular aplicada aos exames de parentesco e à genética forense. Sua capacidade de investigar a linhagem paterna permite esclarecer casos que, há alguns anos, eram considerados inviáveis devido à ausência do suposto pai. Quando aplicada de forma criteriosa e associada à interpretação estatística adequada, essa metodologia fornece informações genéticas de grande relevância para investigações de paternidade, ações judiciais, processos sucessórios e reconstruções familiares.
Na BioMedDNA, cada investigação é planejada individualmente, considerando a estrutura familiar disponível e empregando metodologias reconhecidas internacionalmente para oferecer resultados confiáveis, cientificamente fundamentados e compatíveis com as recomendações da genética forense.
Referências bibliográficas
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Muito bom! Esse artigo ajudou bastante a sanar minhas dúvidas.